SABEDORIA

Está aí a espreitar a Primavera, as auroras começam a ser cada vez mais claras, o oeste também fica colorido até mais tarde. Nos ramos de algumas árvores mais apressadas, começam a sair alguns botões, as magnólias mais peneirentas dos jardins começam a iluminar com os seus botões cor-de-rosa o rosto sorridente das raparigas que passam ao sol. Os agricultores, por todo o lado, fartos deste inverno, coçam a cabeça, dizendo-se que é tempo também de coçar a terra. Va, despachemo-nos, façamos uma prece para este fim de inverno. Faça o céu (e a meteorologia) que os nossos últimos momentos invernais não sofram nenhuma regressão climática. Que nenhum rebento fique gelado, que nenhuma flor seja assassinada no ovo, que nunca tenhamos que lamentar a escassez dos frutos. E, como as velhas acácias experientes, guardemos no coração a antiga sabedoria e a prudência exercida pelos seus plácidos ramos: às vezes, temos a impressão de que nada muda, de que nada vai acontecer, que nenhuma seiva circula … Porém, no silêncio das ramadas e no mais profundo dos seus troncos, prepara-se o renascimento. Simplesmente, leva o seu tempo. É algo muito sólido, esta alegria…

A.Valadar, 12.03.15

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