A realidade escondida

Olá! O meu nome é João, tenho 18 anos e terminei agora o 12o ano. Tenho 2 irmãos, o Afonso com 21 e que está na universidade e a Joana com 11 anos que frequenta o 6º ano. A minha mãe, Maria, de 42 anos é advogada e o meu pai, António, de 45 anos é bancário. Somos uma família como tantas outras, vivendo simplesmente e procurando ser feliz em todos os momentos. Esta é a minha família, e agora vou contar-vos a minha história.Há dois anos atrás foi-me diagnosticada uma doença mental, Psicose. Já ouviram falar?Costumava ter alucinações, isolava-me e cheguei mesmo a criar um amigo imaginário. Isto aconteceu por me ter afastado da família e amigos. Era o meu mundo! Esta doença só me trouxe problemas. Para tentar fugir disto tudo refugiei-me no álcool. Sim, leram bem! Eu comecei a ingerir álcool. Sei que a ainda era novo, mas foi a minha escapatória. Certo dia, estava a minha família à espera de mim para almoçar. Apareci com o meu suposto amigo e apresentei-lho. Eles começaram a rir, chamando-me louco. Já nem almocei! Fui para o meu quarto, de onde não pretendia sair tão cedo. Senti-me realmente um louco, a minha família riu-se na minha cara quando eu só precisava que eles ficassem felizes por ter finalmente um amigo. Tudo bem, eu agora sei que não era real, mas na altura era o único que tinha e era importante para mim. Na minha cabeça era real! Fiquei com raiva deles e, como já vos disse, encontrei refúgio no álcool e acabei por me viciar. Algum tempo depois, os meus pais descobriram a minha dependência e decidiram pregar-me um grande sermão, o meu pai até me bateu! Durante esta descompostura, depois de ele me ter batido, eu tive um surto psicótico, comecei a ter alucinações e disse ao meu amigo para sair dali, pois não queria que ele assistisse aquilo tudo, e esse episódio deixou os meus pais bastante perturbados. Nunca tinham assistido a nada parecido. Foi naquele momento que eles decidiram levar-me a um exorcista pois pensavam que eu estaria possuído. O exorcista não ajudou em nada! Citou partes da bíblia e salpicou-me com água, supostamente benta. Passado alguns dias decidiram levar-me a um psiquiatra, pois os sintomas mantinham-se e eram cada vez mais graves. Os meus pais explicaram-lhe o que estava a acontecer comigo, descreveram-lhe todas as situações às quais tinham assistido. Depois de ouvir tudo, decidiu que queria falar a sós comigo, ouvir a minha história. Então eu contei-lha! Falei da minha relação com os meus pais, inclusive de eles terem troçado de mim, contei-lhe, também, das alucinações e que me tinha refugiado no álcool. Depois de me ouvir, o psiquiatra chamou novamente os meus pais e comunicou-lhes que eu sofria de um transtorno mental designado de psicose. Prescreveu medicação para eu tomar e poder diminuir assim os surtos. Nos primeiros meses foi complicado, os meus pais e mesmo os meus irmãos tinham vergonha de mim e não gostavam de dizer às pessoas o que se passava comigo, tentavam esconder-me. Achavam que o meu problema podia trazer uma má imagem à família, colocar em causa a sua imagem no jogo social das aparências. Com o passar do tempo, eles foram-se habituando e sendo mais indulgentes, começaram a aceitar que o que eu tinha não ia desaparecer, mas que estava controlado e que podia fazer uma vida normal. Aproximaram-se de mim. Agora tudo está melhor, a medicação está realmente a fazer efeito e as minhas crises já diminuíram de intensidade e são muito menos frequentes. Deixei de ingerir álcool pois comecei a frequentar o grupo de alcoólicos anónimos e fiz novas amizades, inclusive conheci o meu melhor amigo, David, que por coincidência tem o mesmo nome do meu amigo imaginário.Encontro-me, neste momento, prestes a entrar numa das melhores universidades para poder realizar o meu sonho de me tornar médico. O meu objetivo é ajudar pessoas como eu, que sofrem o mesmo que eu vivi e sofri!

Autores: Ana Rita Pradinhos, nº 10 e Sarah Alves, nº 22

Turma: PTAS 3

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