Está aí o verão…

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1Diz a minha mãe que os dias dão para tudo… O sol levanta-se cedo de manhã no horizonte e deita-se tarde à noite no horizonte em frente. Entretanto espreguiçou-se sobre nós, sobre os nossos campos, sobre as nossas vinhas e as nossas cidades. Ainda há pouco tempo parecia algo chateado connosco.

Já repararam o quanto, na torpeza estival, se produzem estes fenómenos estranhos, e um pouco regressivos, onde a despreocupação e a morosidade se associam para atenuar os conflitos, para acalmar as vãs querelas, para arredondar os ângulos? Como se um estado de volúpia penetrasse os espíritos mais agudos nas malhas da moderação, das relatividades, das paixões demasiado cansativas para ser experimentadas. Assim, olhamos para o céu, onde passam aves felizes, as festas populares despertam-nos um entusiasmo tranquilo, assiste-se aos concertos onde muitos adultos se tornam adolescentes recordando as suas emoções; olhamos para o rio, para o Atlântico ou mesmo para o mediterrâneo com olhos lânguidos. Começamos a acreditar que a paz no mundo é possível, os desastres humanitários no Yemen ou os recentes conflitos na Nigéria ficam longe daqui. Não resta muita força para discutir a atualidade, para conversar, contentamo-nos de olhar para o céu brilhante.

O que se passa no verão então?

Adriano Valadar, 13.06.15

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