Quando a poesia tem o seu sarau!

A seiva sobe e obstrui as nossas penas

O Zéfiro das nove manhãs dissipa as brumas

Como vós nós amamos tanto quanto possível

A vida, o belo, o evidente e o inefável …

 

Desde o seu nascimento, desde o início dos tempos humanos, a poesia é uma palavra de elevação. Seja ele murmurado, grito ou canto, o poema guarda sempre qualquer coisa da sua oralidade nativa. É, por conseguinte, mais ou menos uma questão de voz, a voz interior do poeta respondendo às vozes do mundo.

A comunhão dos poemas na comunidade, seja ela qual for, passa necessariamente pela voz alta, pela declamação.

Nesse contexto, no pretérito dia 15 de maio, no magnífico salão nobre do Agrupamento de Escolas E. Garcia decorreu o SARAU DE POESIA, onde soprou uma polifonia viva e ardente, uma bonita brisa de poesia e emoção, iniciativa do Departamento de Línguas do Agrupamento com várias colaborações.

Respirações e breves (re)encontros entre professores, alunos e encarregados de educação deram lugar à intimidade do verbo, onde os alunos – representantes de todos os anos e praticamente de todas as turmas – foram  atores, músicos e dançarinos para ajudar a dizer/declamar/ recitar poesia.

O programa era bastante diversificado e cintilante, incluindo poemas de Luís de Camões, Florbela Espanca, Carlos Drumond de Andrade ou Sophia M. B. Andresen, passando por Mário Sá-Carneiro, Alexandre O’Neill ou José Régio entre outros, não esquecendo poetas estrangeiros como Goethe ou P. Neruda. O ponto alto foi a declamação – de forma excelente e superior- do Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros pela aluna Inês Poças (12.º C).

Alguns alunos (o João Amaro, o Diogo Bento, o João Ferreira, o João Pedro Arrobas) através de melodias escolhidas, acompanharam, superiormente, a declamação dos textos, com acordes de guitarra, piano ou violino, criando um cocktail mágico, fazendo dançar as palavras e oferecendo assim às 400 pessoas presentes um momento caloroso e comovente… Paula Sousa, Inês Veloso, Lara Reis, sensacionais!

Se as paixões não se partilham, para quê vivê-las? Viram-se neste Sarau rostos comovidos, com as almas transfiguradas pela forma como os alunos fizeram viver a resplandecente virtude da poesia.

Que o diga o subdirector, Carlos Fernandes, aquando do agradecimento comovido aos presentes. Agradeceu a toda a comunidade escolar, em particular aos alunos, principais atores implicados, mas também ao Departamento de línguas na pessoa do Sr. Coordenador, Acácio Lopes, assim como aos Srs. professores Amaro e Trovisco pela sua colaboração com o departamento na organização do SARAU: decoração do salão, logística, sonorização, conceção e distribuição dos folhetos, gravação, recolha e gravação de poemas.

Os SARAUS voltarão. Até breve?! …

 

Adriano Valadar, 18.05.15

 

IMG_4638

 

Também pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>